AVABRUM realiza novo ato em Brumadinho e atualiza famílias sobre audiências do processo criminal no TRF6 2 de março de 2026
Mobilização mensal em memória das 272 vítimas reforçou participação popular no acompanhamento do julgamento da tragédia-crime da Vale
Familiares, moradores e representantes da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (AVABRUM) participaram, nesta terça-feira (25/2), de mais um ato mensal no letreiro de Brumadinho, realizado em memória das 272 vítimas da tragédia-crime da Vale. A mobilização ocorre todo dia 25 e reafirma o compromisso coletivo com a memória, a justiça e o acompanhamento permanente dos desdobramentos judiciais.
A abertura foi conduzida pela diretora Jacira Francisca, que destacou a importância do autocuidado e relacionou o encontro à campanha Fevereiro Laranja, dedicada à conscientização sobre a leucemia. A fala também abordou doenças autoimunes e neurodegenerativas, como lúpus e Alzheimer, conectando saúde, cuidado coletivo e resistência emocional diante da longa busca por justiça. O ato reforçou mensagens de coragem e esperança, com a reafirmação do propósito comum de seguirem mobilizados até que haja responsabilização pelos crimes cometidos.
Na sequência, a presidenta da AVABRUM, Nayara Porto, realizou a leitura de uma passagem bíblica e promoveu um momento de reflexão entre os presentes. Em seguida, ocorreu a tradicional leitura dos nomes das 272 vítimas. Às 12h28, horário que marca o rompimento da barragem, balões foram soltos em meio a aplausos, emoção e choro dos participantes.
O encontro contou ainda com apresentação musical do artista brumadinense Sanrah, acompanhado pelo percussionista Eder, que interpretaram canções em apoio às famílias e em homenagem às vítimas, em um momento de acolhimento coletivo.
Atualizações do processo criminal
Após o momento simbólico, os advogados Danilo Chammas e Pablo Martins, do Instituto Cordilheira, responsáveis pela representação da AVABRUM, apresentaram atualizações sobre as audiências de instrução do processo criminal iniciadas na última segunda-feira (23/2), no Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6).
Segundo os advogados, já foram ouvidas três testemunhas nesta primeira semana, com novas oitivas previstas nas próximas sessões. Eles explicaram que a fase de instrução corresponde ao momento em que a juíza responsável escuta testemunhas indicadas pela acusação e pelas defesas, etapa que antecede o interrogatório dos réus e a decisão sobre o encaminhamento do caso ao Tribunal do Júri.
Chammas ressaltou que o tribunal estruturou espaços para receber familiares e interessados, com cerca de 60 lugares no auditório principal e outros 60 em sala com telão para acompanhamento das audiências. Como não há autorização para filmagens ou divulgação ampla do conteúdo interno, os representantes reforçaram a importância da presença física dos familiares no tribunal, como forma de acompanhar diretamente o andamento do processo e fortalecer o controle social sobre o julgamento.
Os advogados também orientaram sobre inscrições e formas de participação nas sessões, que ocorrem, em regra, às segundas e sextas-feiras e devem se estender até 2027. Durante a fala, foi destacado que o avanço do processo até essa etapa resulta da mobilização contínua dos familiares, cuja presença contribuiu inclusive para garantir condições adequadas de acolhimento no TRF6.
Danilo Chammas enfatizou, ainda, o papel das testemunhas, que revisitam experiências dolorosas para contribuir com a apuração dos fatos, e defendeu reconhecimento e acolhimento a essas pessoas. Ele afirmou que o objetivo da acusação nesta fase é confirmar provas já reunidas e ampliar o esclarecimento da verdade, com a manutenção da acusação por homicídio com dolo eventual, condição considerada essencial para que os réus sejam levados a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Os advogados também atualizaram os familiares sobre recurso em tramitação no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, que busca o retorno do ex-presidente da Vale às ações penais, destacando que o julgamento ainda depende de novos votos dos ministros.
Memória e recuperação ambiental
O ato também apresentou ações de memória realizadas ao longo do dia. A diretora Alexandra Costa explicou o plantio de ipês ocorrido pela manhã, iniciativa vinculada à compensação ambiental do documentário Arrastados, em parceria com a Prefeitura de Brumadinho e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
A ação incluiu a instalação de placas informativas e o plantio de árvores nativas voltadas ao acolhimento de polinizadores, com o objetivo de associar preservação ambiental e memória coletiva. As mudas permanecem no viveiro municipal do bairro São Judas Tadeu, que deverá ser aberto para visitação pública em breve.
Encerrado sob clima de união e resistência, o ato reafirmou o compromisso da AVABRUM com a memória das vítimas e com a busca permanente por justiça, mantendo viva a mobilização que sustenta o acompanhamento do processo criminal e das ações de reparação ligadas à tragédia-crime de Brumadinho. Para a diretora da Associação, Edi Tavares, o avanço do processo representa um marco importante após anos de espera. “É um grande avanço termos chegado ao momento em que a Justiça começa a ouvir as testemunhas, mas precisamos permanecer fortes e unidos para superar mais essa etapa e seguir até o julgamento”, afirmou.
Sobre o Projeto Legado de Brumadinho:
A AVABRUM – Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos do Rompimento da Barragem Mina Córrego Feijão, em parceria com a CAUSAR, tem o Projeto Legado de Brumadinho como suporte de ações institucionais e na construção da memória (para que nunca mais aconteça). O Legado de Brumadinho integra os projetos do Comitê Gestor DMC (Dano Moral Coletivo).
Mobilização mensal em memória das 272 vítimas reforçou participação popular no acompanhamento do julgamento da tragédia-crime da Vale
Familiares, moradores e representantes da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (AVABRUM) participaram, nesta terça-feira (25/2), de mais um ato mensal no letreiro de Brumadinho, realizado em memória das 272 vítimas da tragédia-crime da Vale. A mobilização ocorre todo dia 25 e reafirma o compromisso coletivo com a memória, a justiça e o acompanhamento permanente dos desdobramentos judiciais.
A abertura foi conduzida pela diretora Jacira Francisca, que destacou a importância do autocuidado e relacionou o encontro à campanha Fevereiro Laranja, dedicada à conscientização sobre a leucemia. A fala também abordou doenças autoimunes e neurodegenerativas, como lúpus e Alzheimer, conectando saúde, cuidado coletivo e resistência emocional diante da longa busca por justiça. O ato reforçou mensagens de coragem e esperança, com a reafirmação do propósito comum de seguirem mobilizados até que haja responsabilização pelos crimes cometidos.
Na sequência, a presidenta da AVABRUM, Nayara Porto, realizou a leitura de uma passagem bíblica e promoveu um momento de reflexão entre os presentes. Em seguida, ocorreu a tradicional leitura dos nomes das 272 vítimas. Às 12h28, horário que marca o rompimento da barragem, balões foram soltos em meio a aplausos, emoção e choro dos participantes.
O encontro contou ainda com apresentação musical do artista brumadinense Sanrah, acompanhado pelo percussionista Eder, que interpretaram canções em apoio às famílias e em homenagem às vítimas, em um momento de acolhimento coletivo.
Atualizações do processo criminal
Após o momento simbólico, os advogados Danilo Chammas e Pablo Martins, do Instituto Cordilheira, responsáveis pela representação da AVABRUM, apresentaram atualizações sobre as audiências de instrução do processo criminal iniciadas na última segunda-feira (23/2), no Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6).
Segundo os advogados, já foram ouvidas três testemunhas nesta primeira semana, com novas oitivas previstas nas próximas sessões. Eles explicaram que a fase de instrução corresponde ao momento em que a juíza responsável escuta testemunhas indicadas pela acusação e pelas defesas, etapa que antecede o interrogatório dos réus e a decisão sobre o encaminhamento do caso ao Tribunal do Júri.
Chammas ressaltou que o tribunal estruturou espaços para receber familiares e interessados, com cerca de 60 lugares no auditório principal e outros 60 em sala com telão para acompanhamento das audiências. Como não há autorização para filmagens ou divulgação ampla do conteúdo interno, os representantes reforçaram a importância da presença física dos familiares no tribunal, como forma de acompanhar diretamente o andamento do processo e fortalecer o controle social sobre o julgamento.
Os advogados também orientaram sobre inscrições e formas de participação nas sessões, que ocorrem, em regra, às segundas e sextas-feiras e devem se estender até 2027. Durante a fala, foi destacado que o avanço do processo até essa etapa resulta da mobilização contínua dos familiares, cuja presença contribuiu inclusive para garantir condições adequadas de acolhimento no TRF6.
Danilo Chammas enfatizou, ainda, o papel das testemunhas, que revisitam experiências dolorosas para contribuir com a apuração dos fatos, e defendeu reconhecimento e acolhimento a essas pessoas. Ele afirmou que o objetivo da acusação nesta fase é confirmar provas já reunidas e ampliar o esclarecimento da verdade, com a manutenção da acusação por homicídio com dolo eventual, condição considerada essencial para que os réus sejam levados a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Os advogados também atualizaram os familiares sobre recurso em tramitação no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, que busca o retorno do ex-presidente da Vale às ações penais, destacando que o julgamento ainda depende de novos votos dos ministros.
Memória e recuperação ambiental
O ato também apresentou ações de memória realizadas ao longo do dia. A diretora Alexandra Costa explicou o plantio de ipês ocorrido pela manhã, iniciativa vinculada à compensação ambiental do documentário Arrastados, em parceria com a Prefeitura de Brumadinho e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
A ação incluiu a instalação de placas informativas e o plantio de árvores nativas voltadas ao acolhimento de polinizadores, com o objetivo de associar preservação ambiental e memória coletiva. As mudas permanecem no viveiro municipal do bairro São Judas Tadeu, que deverá ser aberto para visitação pública em breve.
Encerrado sob clima de união e resistência, o ato reafirmou o compromisso da AVABRUM com a memória das vítimas e com a busca permanente por justiça, mantendo viva a mobilização que sustenta o acompanhamento do processo criminal e das ações de reparação ligadas à tragédia-crime de Brumadinho. Para a diretora da Associação, Edi Tavares, o avanço do processo representa um marco importante após anos de espera. “É um grande avanço termos chegado ao momento em que a Justiça começa a ouvir as testemunhas, mas precisamos permanecer fortes e unidos para superar mais essa etapa e seguir até o julgamento”, afirmou.
Sobre o Projeto Legado de Brumadinho:
A AVABRUM – Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos do Rompimento da Barragem Mina Córrego Feijão, em parceria com a CAUSAR, tem o Projeto Legado de Brumadinho como suporte de ações institucionais e na construção da memória (para que nunca mais aconteça). O Legado de Brumadinho integra os projetos do Comitê Gestor DMC (Dano Moral Coletivo).
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