Boletim 272 vozes por justiça! 2ª semana de audiências do caso Brumadinho. 10 de março de 2026
Mensagem da AVABRUM
O “272 vozes por justiça!” é o boletim semanal da AVABRUM dedicado ao acompanhamento do processo criminal que apura as responsabilidades pela tragédia-crime da barragem Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho (MG).
A segunda semana de oitivas foi marcada por relatos que apontam alertas prévios ignorados, ausência de medidas eficazes de prevenção e impactos permanentes vividos por sobreviventes e famílias atingidas.
Essa publicação registra os principais acontecimentos das audiências, reúne depoimentos apresentados em juízo e reafirma o compromisso com a memória das 272 vítimas e com o avanço da responsabilização penal.
Testemunhas da segunda semana
- Fernando Henrique Barbosa Coelho, sobrevivente e filho de Olavo Henrique Coelho (63), trabalhador com mais de 40 anos na mineração que morreu na tragédia-crime.
“Meu pai falou que a barragem estava condenada, me pediu pra não ficar embaixo. Ele comunicou com quem ele podia e essas pessoas não comunicaram a quem teria autonomia para parar a operação. Já tinha sinais de problema. Não houve um tratamento, mas sim uma maquiagem”.
- Deivid Arlei Almeida, caseiro, 22 anos à época, morava a cerca de 100 metros da barragem.
“Quando cheguei encontrei minha esposa presa nos escombros da casa. Gastamos cerca de uma hora para retirá-la. Ela ficou soterrada da cintura para baixo. Ela não escutou sirene, apenas um barulho como se fosse uma carreta tombando.”
- Sebastião Gomes, empregado da Vale entre 2010 e 2019, que estava dentro da caminhonete
“Em 10 anos na Vale, nunca participei de um treinamento eficaz para rompimento de barragem. Essa tragédia poderia ter sido evitada se tivessem investido em mais tecnologia. Foi uma tragédia motivada por ganância. Eu escrevi uma carta para o presidente da Vale relatando o medo de meus amigos depois do rompimento em Mariana e fui ignorado.”
Conheça a história dele no https://www.youtube.com/watch?v=dMFNeusQOGg
- William Isidoro de Jesus, vítima sobrevivente, operador de equipamentos que prestou serviço para a Vale por 11 anos.
“A lama pegou a máquina em que eu estava e ela tombou. Saí de dentro dela e vi só aquele mar de lama. É um sofrimento que não passa. Hoje, se um helicóptero passar por cima já causa pânico. O sentimento é de tristeza de saber que poderia ter sido evitado. Se não fosse possível evitar o rompimento, era possível retirar as pessoas de lá. Só quem viveu sabe o que foi aquilo”.
- Waldson Gomes da Silva, motorista terceirizado da empresa Palmira, que atuava no complexo havia cerca de sete anos.
“Escutamos um estrondo muito forte e a lama veio arrastando tudo. Ela cobriu metade do caminhão e por pouco ele não virou. Não houve nenhum aviso de sirene e, mesmo que tivesse tocado, não haveria tempo algum de fuga […para quem estava próximo à barragem]. Ver tanta gente morrer é algo que não se esquece. A gente lembra todos os dias da tragédia”.
Análise da AVABRUM
Nayara Porto, presidenta da AVABRUM, que está acompanhando as audiências diretamente do TRF6, destacou a importância dos depoimentos para o avanço da responsabilização criminal.
“Cada vez fica mais evidente que eles sabiam do rompimento da barragem e deixaram os nossos lá para morrer. É revoltante. Nenhum trabalhador ouviu qualquer sinal sonoro antes do rompimento. O que chegou até eles foi apenas o estrondo da barragem. Isso demonstra a negligência da empresa e o completo abandono das medidas de proteção”.
Análise jurídica
Pablo Martins, advogado e assistente da acusação pela AVABRUM
“A segunda semana de audiências marca uma mudança importante nos depoimentos. Saímos dos relatos dos familiares das vítimas fatais e passamos a ouvir vítimas sobreviventes que presenciaram o que aconteceu. Esses depoimentos são fundamentais para que possamos ter um quadro mais amplo de como era a dinâmica de trabalho no complexo e quais eram, na prática, as diretrizes de segurança adotadas pelos funcionários. Os relatos mostram que havia deficiências nesses procedimentos e que os próprios trabalhadores tinham consciência dessas fragilidades, além de enfrentarem dificuldades para levar essas preocupações aos níveis hierárquicos superiores. Para nós, essas informações são muito importantes, sobretudo pensando nos próximos depoimentos e nos interrogatórios dos réus, porque permitem analisar de que forma eles poderiam ter agido para aumentar o fator de segurança da barragem”.
Sobre o Projeto Legado de Brumadinho:
A AVABRUM – Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos do Rompimento da Barragem Mina Córrego Feijão, em parceria com a CAUSAR, tem o Projeto Legado de Brumadinho como suporte de ações institucionais e na construção da memória (para que nunca mais aconteça). O Legado de Brumadinho integra os projetos do Comitê Gestor DMC (Dano Moral Coletivo).
Mensagem da AVABRUM
O “272 vozes por justiça!” é o boletim semanal da AVABRUM dedicado ao acompanhamento do processo criminal que apura as responsabilidades pela tragédia-crime da barragem Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho (MG).
A segunda semana de oitivas foi marcada por relatos que apontam alertas prévios ignorados, ausência de medidas eficazes de prevenção e impactos permanentes vividos por sobreviventes e famílias atingidas.
Essa publicação registra os principais acontecimentos das audiências, reúne depoimentos apresentados em juízo e reafirma o compromisso com a memória das 272 vítimas e com o avanço da responsabilização penal.
Testemunhas da segunda semana
- Fernando Henrique Barbosa Coelho, sobrevivente e filho de Olavo Henrique Coelho (63), trabalhador com mais de 40 anos na mineração que morreu na tragédia-crime.
“Meu pai falou que a barragem estava condenada, me pediu pra não ficar embaixo. Ele comunicou com quem ele podia e essas pessoas não comunicaram a quem teria autonomia para parar a operação. Já tinha sinais de problema. Não houve um tratamento, mas sim uma maquiagem”.
- Deivid Arlei Almeida, caseiro, 22 anos à época, morava a cerca de 100 metros da barragem.
“Quando cheguei encontrei minha esposa presa nos escombros da casa. Gastamos cerca de uma hora para retirá-la. Ela ficou soterrada da cintura para baixo. Ela não escutou sirene, apenas um barulho como se fosse uma carreta tombando.”
- Sebastião Gomes, empregado da Vale entre 2010 e 2019, que estava dentro da caminhonete
“Em 10 anos na Vale, nunca participei de um treinamento eficaz para rompimento de barragem. Essa tragédia poderia ter sido evitada se tivessem investido em mais tecnologia. Foi uma tragédia motivada por ganância. Eu escrevi uma carta para o presidente da Vale relatando o medo de meus amigos depois do rompimento em Mariana e fui ignorado.”
Conheça a história dele no https://www.youtube.com/watch?v=dMFNeusQOGg
- William Isidoro de Jesus, vítima sobrevivente, operador de equipamentos que prestou serviço para a Vale por 11 anos.
“A lama pegou a máquina em que eu estava e ela tombou. Saí de dentro dela e vi só aquele mar de lama. É um sofrimento que não passa. Hoje, se um helicóptero passar por cima já causa pânico. O sentimento é de tristeza de saber que poderia ter sido evitado. Se não fosse possível evitar o rompimento, era possível retirar as pessoas de lá. Só quem viveu sabe o que foi aquilo”.
- Waldson Gomes da Silva, motorista terceirizado da empresa Palmira, que atuava no complexo havia cerca de sete anos.
“Escutamos um estrondo muito forte e a lama veio arrastando tudo. Ela cobriu metade do caminhão e por pouco ele não virou. Não houve nenhum aviso de sirene e, mesmo que tivesse tocado, não haveria tempo algum de fuga […para quem estava próximo à barragem]. Ver tanta gente morrer é algo que não se esquece. A gente lembra todos os dias da tragédia”.
Análise da AVABRUM
Nayara Porto, presidenta da AVABRUM, que está acompanhando as audiências diretamente do TRF6, destacou a importância dos depoimentos para o avanço da responsabilização criminal.
“Cada vez fica mais evidente que eles sabiam do rompimento da barragem e deixaram os nossos lá para morrer. É revoltante. Nenhum trabalhador ouviu qualquer sinal sonoro antes do rompimento. O que chegou até eles foi apenas o estrondo da barragem. Isso demonstra a negligência da empresa e o completo abandono das medidas de proteção”.
Análise jurídica
Pablo Martins, advogado e assistente da acusação pela AVABRUM
“A segunda semana de audiências marca uma mudança importante nos depoimentos. Saímos dos relatos dos familiares das vítimas fatais e passamos a ouvir vítimas sobreviventes que presenciaram o que aconteceu. Esses depoimentos são fundamentais para que possamos ter um quadro mais amplo de como era a dinâmica de trabalho no complexo e quais eram, na prática, as diretrizes de segurança adotadas pelos funcionários. Os relatos mostram que havia deficiências nesses procedimentos e que os próprios trabalhadores tinham consciência dessas fragilidades, além de enfrentarem dificuldades para levar essas preocupações aos níveis hierárquicos superiores. Para nós, essas informações são muito importantes, sobretudo pensando nos próximos depoimentos e nos interrogatórios dos réus, porque permitem analisar de que forma eles poderiam ter agido para aumentar o fator de segurança da barragem”.
Sobre o Projeto Legado de Brumadinho:
A AVABRUM – Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos do Rompimento da Barragem Mina Córrego Feijão, em parceria com a CAUSAR, tem o Projeto Legado de Brumadinho como suporte de ações institucionais e na construção da memória (para que nunca mais aconteça). O Legado de Brumadinho integra os projetos do Comitê Gestor DMC (Dano Moral Coletivo).
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