Foto: Moisés Silva / SEGOV

AVABRUM cobra justiça e atenção prioritária a Brumadinho em balanço dos cinco anos do acordo de reparação

5 de fevereiro de 2026

Associação destaca impactos ainda vividos pelas famílias e reforça que responsabilização pelos crimes é principal bandeira em 2026

A Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (AVABRUM) participou, nesta quarta-feira (04/2), na Cidade Administrativa, do evento que apresentou o balanço das ações relacionadas aos cinco anos do Acordo Judicial de Reparação pela tragédia-crime de Brumadinho. A presença da entidade levou ao centro da agenda a perspectiva das famílias atingidas, que lembraram que cada iniciativa anunciada nasce da perda irreparável de 272 vidas.

Em sua fala, a presidenta da AVABRUM, Nayara Porto, afirmou que o debate não pode se limitar a números. “Nada do que está sendo apresentado hoje existiria sem a morte de 272 pessoas. Cada recurso, cada projeto, cada obra, cada programa de reparação existe porque vidas foram interrompidas de forma violenta e evitável”, disse.

Durante a apresentação do balanço, o governador Romeu Zema destacou que os recursos do acordo vêm sendo aplicados em diversas frentes. “Este dinheiro está sendo aplicado da forma mais criteriosa possível para que a vida das pessoas melhore, e temos feito todo o esforço para que essa tragédia, esse crime, tenha sido o último”, declarou.

Na cerimônia, a AVABRUM reconheceu a relevância de iniciativas nas áreas de saúde, infraestrutura, mobilidade e meio ambiente, mas reforçou que a reparação precisa manter as vítimas como referência permanente. “Não é aceitável que recursos da reparação sejam aplicados sem referência às vítimas. Não é aceitável que obras sejam inauguradas sem lembrar por que elas existem”, declarou Nayara Porto.

A Associação também ressaltou que a responsabilização judicial segue como uma das principais bandeiras das famílias, já que ninguém foi julgado pelas mortes das 272 vítimas até o momento. Nayara Porto lembrou que as audiências do processo criminal devem começar nas próximas semanas e destacou a importância de acompanhamento público dessa etapa. “Punir é educar. É produzir um efeito pedagógico para o próprio Estado e para as empresas: negligência mata, omissão mata, decisões técnicas sem ética matam”, afirmou. 

Ao final, a AVABRUM reiterou que o balanço dos cinco anos do acordo precisa ser compreendido a partir das histórias humanas que motivaram sua existência. Para a presidenta da entidade, a reparação deve ultrapassar relatórios e indicadores e se traduzir em respeito concreto às famílias e à memória das vítimas. “Não existe reparação verdadeira sem respeito. Não existe justiça sem memória. E não existe futuro possível quando o passado é silenciado”, concluiu Nayara Porto.

Diálogo

Antes da cerimônia, a diretoria da Associação foi recebida pelo governador Romeu Zema e por representantes das instituições compromitentes do acordo. Na conversa, o grupo apresentou preocupações ligadas ao presente e ao futuro de Brumadinho. 

A diretora da entidade, Josiane Melo, alertou para o que classificou como uma forte dependência da atividade mineral e defendeu a celeridade na criação de um polo industrial no município. “Brumadinho precisa olhar para além da mineração. A reparação também passa por construir novas oportunidades econômicas e reduzir essa dependência histórica”, afirmou.

Também foram abordados o agravamento de problemas de saúde física e mental, registros de suicídios, a lentidão em etapas da reparação, a necessidade de acelerar obras viárias e de infraestrutura, medidas de prevenção, entraves burocráticos e riscos ampliados pelas mudanças climáticas. Para Nayara Porto, tragédias-crime dessa magnitude não se encerram com o passar do tempo. “Seus efeitos são longos, contínuos e profundos: no luto que não se encerra, na saúde mental das famílias, na insegurança econômica e na ruptura de vínculos”, afirmou.

A AVABRUM também cobrou do governador avanços na duplicação da estrada que liga Brumadinho a Betim, considerada estratégica para a mobilidade e para a segurança viária na região. A demanda envolve o trecho que compreende a MG-040, na ligação entre Brumadinho e Mário Campos, e a MG-155, responsável por conectar o restante do trajeto até a BR-381. Para a associação, a melhoria da infraestrutura rodoviária representa uma necessidade histórica do município e uma medida essencial para ampliar o acesso a serviços, reduzir riscos e apoiar a retomada econômica local.

Sobre o Projeto Legado de Brumadinho:

A AVABRUM – Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos do Rompimento da Barragem Mina Córrego Feijão, em parceria com a CAUSAR, tem o Projeto Legado de Brumadinho como suporte de ações institucionais e na construção da memória (para que nunca mais aconteça). O Legado de Brumadinho integra os projetos do Comitê Gestor DMC (Dano Moral Coletivo).

Compartilhar:

Pesquisas